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PITTY — Pitty transforma o recomeço em rock, atitude e autoconhecimento

  • October 20, 2026
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Rodrigo Menezes
Super User
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Depois de sete anos sem lançar um álbum de músicas inéditas, Pitty retorna com PITTY, seu sexto disco de estúdio, lançado em 16 de outubro de 2026. Mais do que uma retomada musical, o trabalho representa uma nova fase de uma artista que, mesmo depois de mais de duas décadas de carreira, parece disposta a se redescobrir.

A escolha de batizar o álbum com o próprio nome não parece por acaso. É como se Pitty quisesse apresentar ao público não apenas a roqueira que se tornou referência no rock nacional, mas também a mulher que existe por trás dessa imagem: mais madura, vulnerável, inquieta e interessada em explorar novas possibilidades.

O resultado é um disco que preserva a personalidade contestadora da cantora, mas não se limita a repetir a fórmula que a consagrou.

Um rock que não tem medo de dançar

Musicalmente, PITTY mantém as guitarras marcantes, os riffs incisivos e a energia que fazem parte da identidade da artista. A diferença está na maneira como esses elementos se misturam a batidas dançantes, referências ao hip-hop, nuances de blues e melodias que flertam com o pop rock.

O primeiro single, “Sobremesa”, funciona como uma boa porta de entrada para essa nova fase. Com guitarras fortes, ironia e um refrão envolvente, a faixa recupera algo da atitude mais direta dos primeiros trabalhos da cantora, sem transmitir a sensação de que ela está simplesmente tentando voltar ao passado.

Em vez de viver de nostalgia, Pitty parece compreender que sua essência não precisa permanecer presa a uma época. É possível manter a rebeldia e, ao mesmo tempo, experimentar novos caminhos.

Essa disposição fica ainda mais evidente em “Desobediente”, que mistura elementos do rock com batidas de hip-hop e uma abordagem que valoriza a liberdade de questionar padrões. Já “Armadura” aproxima peso e movimento, mostrando que a agressividade do rock também pode dividir espaço com uma sonoridade dançante.

Letras que expõem feridas e desafiam expectativas

Se a sonoridade demonstra vontade de experimentar, são as letras que dão profundidade ao álbum. O disco percorre temas como amadurecimento, relações desgastadas, liberdade individual, vulnerabilidade e a necessidade de abandonar aquilo que já não faz sentido.

Em “Amiga”, a cantora aborda a falta de reciprocidade nas relações, enquanto “Madame” aposta na ironia para confrontar julgamentos e expectativas impostas às mulheres. São temas que dialogam com a postura crítica que acompanha sua trajetória, mas agora aparecem sob uma perspectiva mais pessoal.

Um dos momentos mais interessantes é “Álbum de Casamento”, faixa que se aproxima do blues e assume um tom confessional. Aqui, a força não está apenas na atitude ou na indignação, mas também na disposição de expor sentimentos difíceis.

Essa combinação de firmeza e fragilidade ajuda a evitar que o disco se transforme em uma coleção de declarações de independência. Há espaço para contradições, dúvidas e emoções que não se resolvem simplesmente com um refrão poderoso.

Um álbum sobre mudar sem perder a própria identidade

O título PITTY também ganha sentido quando observamos o processo criativo. A cantora voltou a compor sozinha, com o violão, e desenvolveu ideias e arranjos em seu próprio estúdio antes de trabalhar na produção com Rafael Ramos. A pausa que antecedeu o projeto parece ter aberto espaço para uma criação mais espontânea.

Faixas como “Caminhada”, “Prazer, Universo”, “Cuidada” e “Nó” ajudam a ampliar as perspectivas do repertório, que não se limita à rebeldia contra o mundo exterior. Existe também um movimento de olhar para dentro, rever escolhas e reconhecer quando um ciclo precisa terminar.

É justamente aí que o álbum encontra sua ideia central: recomeçar não significa apagar o passado, mas aprender a seguir em frente com tudo aquilo que ele ensinou.

PITTY é um álbum que ganha força justamente por não tentar provar que sua autora ainda é a mesma artista de 2003. Ela não precisa ser. A experiência acumulada permite que a cantora explore novas sonoridades, fale de questões íntimas e revele outras camadas de sua personalidade sem abandonar a energia que sempre marcou seu trabalho.

O disco talvez não tenha a intenção de superar o impacto histórico de Admirável Chip Novo, mas oferece algo igualmente importante para uma carreira longeva: a possibilidade de continuar criando com curiosidade, personalidade e inquietação.

No fim, a maior virtude de PITTY é mostrar que amadurecer não significa perder a rebeldia. Às vezes, significa descobrir novas razões para exercê-la.

 

Agora conte para a gente o que você achou desse disco e qual a sua faixa preferida ?