Samples: Um caminho pela história da música

  • 27 July 2022
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Samples: Um caminho pela história da música
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Samples

 Um caminho pela história da música

Um especial da Beyoncé 

 

Para comemorar essa data tão importante, eu conversei com o especialista em música Dan, do Som do Dan. Ele esta presente em todas as redes sociais falando sobre música.

E sabe qual é o carro chefe dele? Falar sobre samples. Com vídeos extremamente criativos e informativos, Dan traz essa jovialidade para um assunto quase sempre técnico.

Para começo de conversa eu o questionei qual foi a primeira obra que ele se lembra que tinha como base um sample.

 

“Eu diria que uma canção, que na verdade é uma peça instrumental, chamada Axel F do Crazy Fog. Eu acho que eu tinha 10 anos, em 2004, quando essa música surgiu. Que é um sample de 1984 de mesmo nome Axel F. A questão é que o teclado usado na música original foi usado como sample. Isso ficou mundial. Estourou. Explodiu!”

 

Bora lembra de qual música o Dan se refere?

 

Música original

 

 

 

 

 

Música com sample

 

 

 

Qual é a história do sampling?

 

Segundo Dan, a prática do sample hoje, que consiste em usos das gravações de outras pessoas, sejam antigas ou novas, na sua música, é uma prática recente do final dos anos 80 para o começo dos anos 90. O sampling surgiu como uma resposta da cultura do Hip Hop. Começou a emergir em algumas regiões dos EUA e tinha como uma das suas bases o sample.

 

“Se pegava uma batida de uma música e colocava outra música junto daquela batida. O rap por exemplo usou um loop de bateria nos anos 80 e 90 que foi ampliado várias vezes e as pessoas cantavam em cima desse loop. Mas tarde os DJs começaram a usar parte do instrumental. Essa técnica de sampling ficou muito difundida. Até pessoas que não trabalhando diretamente com isso sabem do que se trata”.

 

Coloquem play na RUN DMC - Beats To The Rhyme e ouçam a bateria no primeiro beat.

 

 

 

 

Curiosidade

Dan nos lembra que há relatos mais antigos do que podemos imaginar. Beethoven utilizava temas musicais de outros compositores concorrentes. Ele até dedicava algumas músicas a outros compositores.

“O uso da música de outrem era muito comum. Extremamente comum, mesmo quando não havia gravação”.

 

Para uma música que usa sample estourar comercialmente, o sample precisa ser interessante e diferente o suficiente para chamar a atenção, segundo Dan.

 

“Não adianta sampliar uma música que ninguém conhece e que não tem uma certa característica de “imeditismo”. Um exemplo que deu certo é quando Jaden Smith usou um sample na sua música Icon que era dos anos 50. A primeira voz que aparece na canção é o sample.

 

 

Jaden - Icon

 

 

 

 

 

Cab Calloway - The Hi De Ho Man

 

 

 

 

 

O que faz um sample dar certo é seu “imeditismo” e sua capacidade memorável

 

Outra exemplo que Dan explora na entrevista é a música da Dua Lipa - Love Again. Que usou o violino da música “My Woman” by Lew Stone & The Monseigneur Band and Al Bowlly. Canção de 1930 que é marcante é memóravel pelos seus violinos.

 

“My Woman” by Lew Stone & The Monseigneur Band and Al Bowlly

 

 

Dua Lipa - Love Again

 

 

E bora trazer a rainha Bey para a roda? Quando eu questionei o Dan porque ela está trazendo de volta o house music dos anos 90 ele me disse que a música house mesmo hoje sendo um sucesso estrondoso na Rússia, ela caiu um pouco em desuso nos EUA.  Bey resgata pontos dos anos 90 que também podem estar ligados a sua época de juventude. Época que ela começou a se reconhecer como musicista na carreira.

 

“Isso está muito relacionado com o começo da carreira dela, dos interesses iniciais com o house music enfim, gêneros musicais parecidos.”

 

Ainda de acordo com Dan, a house music caiu num certo esquecimento nos Estados Unidos e como sabemos a moda/tendência é cíclica. Um intervalo de 20 a 30 anos para tudo voltar. Funciona na moda, nas tendências e a música não fica de fora. Outro exemplo dessa retomada é o Pop Punk de Avril Lavine voltando com tudo.

 

Para Dan, Beyonce tem uma evolução muito bonita na sua carreira. Chegando hoje ser uma ativista da luta da negritude dos EUA e usando seu trabalho para isso. Nesse novo trabalho ela irá reviver seus tempos de juventude e ainda trazer debates e significados para o presente.

 

Bey é tão atual que a música Break My Soul já é considerada um hino para a luta dos direitos trabalhistas e do modo de viver americano que exalta o trabalho em detrimento a outras areas da vida.

 

 

 

Música original

 

 

 

Daniel Batista (@somdodan) produtor musical | educador | artista

 


2 comentários

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Acabei conhecendo coisas que até então, não sabia. O Axel F, teve um auge até que prolongado no Brasil, por um certo tempo.

Adorei ❤

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