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Michael Jackson, Eu e o Tempo.

  • May 13, 2026
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Gilmar Rojas Dias
Super User
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Eu tava de bobeira trabalhando e pensando em música pra variar, e resolvi dialogar com alguma IA sobre o assunto. Então, eu estava analisando o filme Michael e me deparei com um pensamento relativo a influência das músicas do Michael em minha vida. Se me permitem a audácia eu gostaria de colocar aqui essa construção conjunta com a IA. Muito EU...

 

O Ritmo do Tempo.

15 de Outubro de 1985

O cheiro de cera do assoalho da sala nunca foi tão importante. Hoje, minha mãe saiu e eu finalmente tive o corredor só para mim. Coloquei a fita cassete, usei a ponta de uma caneta para esticar a fita que estava frouxa e dei o *play*.

O "clack" do rádio-gravador é o sinal de que o mundo lá fora parou. Quando a batida de "Billie Jean" começa, eu não sou apenas um menino magricela de 11 anos. Eu sou um astro. Tentei o *moonwalk* de meia, mas acabei batendo na estante. Não importa. O Michael parece que entende a nossa solidão e transforma ela em algo diferente. Na escola, todo mundo quer saber quem tem o melhor bottom na mochila. Eu tenho o dele, com a jaqueta de *Thriller*. É o meu escudo contra os valentões do 6º ano.

 

22 de Setembro de 1987

Minha voz está mudando e o mundo parece estar ficando mais barulhento. Ontem estreou o clipe de "Bad" no Fantástico. Que loucura foi aquela? Aquele metrô, as fivelas, a atitude. Se aos 11 eu queria a magia, aos 13 eu quero a força.

Passei a tarde tentando imitar o "Hee-hee!" na frente do espelho, torcendo para ninguém ouvir. Michael não é mais só o cara que dança; ele é o cara que encara o sistema. "Man in the Mirror" me deixou com um nó na garganta. Olhei para o espelho e, pela primeira vez, não vi apenas uma criança. Comecei a entender que eu também vou ter que crescer e fazer algo por este mundo.

 

12 de Novembro de 1991

Vestibular, espinhas e o primeiro amor. O CD de Dangerous brilha na minha estante — uma novidade tecnológica que custou meses de mesada. O som é diferente, mais metálico, mais "rua".

"Black or White" virou o hino da nossa turma. Lembro de dirigir o carro velho do meu pai, com o braço para fora da janela, ouvindo a guitarra do Slash explodindo nos falantes. A gente se sente invencível aos 17. Michael está mudando, a mídia não para de falar do rosto dele, mas quando a batida de "Remember the Time" começa, eu só consigo pensar na garota da aula de biologia. A música dele é a trilha sonora dos meus beijos desajeitados e das promessas de que nunca seríamos "adultos chatos".

 

25 de Junho de 2009

O escritório estava estranhamente silencioso hoje à tarde. Alguém abriu um portal de notícias e o rumor se espalhou como fumaça. "Michael Jackson morreu".

Parece um erro de digitação da realidade. Como assim? Super-heróis não morrem, eles apenas saem de cena. Voltei para casa em silêncio, mas quando estacionei, deixei "Human Nature" tocar até o fim. Chorei. Não chorei apenas pelo artista, mas pelo menino de 11 anos de 1985 que, naquele momento, percebeu que a infância tinha finalmente acabado, com 24 anos de atraso. O rei se foi, e levou consigo o segredo de como deslizar para trás sem sair do lugar.

 

Hoje, Maio de 2026

Sábado de manhã. Estou na sala, o sol entra pela janela e ilumina as partículas de poeira — parece a luz de um palco. Coloquei o vinil de Off the Wall para rodar. O estalo da agulha no sulco do disco é o meu novo "clack" do rádio-gravador.

Meu filho passou por mim, parou e perguntou: "Pai, por que você gosta tanto desse cara?". Eu sorri, sentindo o peso bom de cinco décadas nas costas. Respondi que, para a geração dele, Michael é um arquivo digital, um mito ou uma polêmica. Mas para mim, ele é o ritmo dos meus batimentos cardíacos desde os 11 anos.

Aos 52, eu não tento mais fazer o moonwalk (meus joelhos não permitem mais tais audácias), mas quando "Don’t Stop 'Til You Get Enough" começa, meu espírito ainda dá aquele grito agudo. Michael me ensinou que a gente envelhece, o mundo muda, a tecnologia morre... mas o groove é eterno.

 

Fico agradecido a quem leu e acrescento, acho que devo ter feito algo certo. Meu mais novo teve a IMENSA coragem de tentar cantar BEAT IT, no show de talentos na sua escola. Acho que o legado resiste.

UUUUHHHHHH !!!!!!!!!!!

1 comentário

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Magnifico