Skip to main content
Sticky

Rock in Rio: os shows que surpreenderam e as escolhas que dividiram opiniões

  • September 19, 2026
  • 0 respostas
  • 6 exibições
Leonídia.Deezer
Community Manager
Forum|alt.badge.img+2

De Péricles e João Gomes a Elton John e Calema, a edição mostrou a força da música brasileira, mas também levantou discussões sobre curadoria, representatividade e os espaços destinados a cada gênero.

 

O Rock in Rio é conhecido por reunir diferentes estilos, públicos e gerações em um mesmo festival. Mas, quando tantos universos musicais se encontram, nem tudo funciona da mesma forma.

Alguns shows surpreenderam, emocionaram e foram comentados como grandes momentos da edição. Outros levantaram dúvidas sobre as escolhas do repertório, a organização da programação e a forma como determinados artistas e gêneros são representados nos palcos.

Entre apresentações marcantes, colaborações inesperadas e críticas nas redes sociais, uma coisa ficou clara: o Rock in Rio continua sendo muito mais do que um festival de música. É também um espaço de debate sobre a música brasileira e sobre quem merece ocupar os maiores palcos.


Péricles leva a Motown para o Rock in Rio

Um dos grandes destaques foi o show de Péricles, que apresentou um repertório inspirado na Motown, gravadora responsável por lançar nomes históricos como Jackson 5 e diversos artistas negros que transformaram a música mundial.

A ideia do espetáculo surgiu depois que Zé Ricardo viu Péricles interpretar “Stand By Me” em outra apresentação. O cantor também já havia chamado atenção ao cantar a música no programa Altas Horas.

O resultado foi um show pensado especialmente para o Rock in Rio, com referências à música negra, ao soul e ao R&B. A apresentação foi muito elogiada e apareceu entre os principais destaques nacionais do festival.

Mais do que uma homenagem, o show mostrou a versatilidade de Péricles, e sua capacidade de transitar por diferentes estilos sem perder a própria identidade.

 

 

João Gomes transforma o palco em um carnaval de Pernambuco

João Gomes também protagonizou um dos momentos mais comentados da edição. Ao lado de uma orquestra e de grupos ligados à cultura pernambucana, o cantor levou para o festival elementos do carnaval de Recife e Olinda.

A apresentação contou com bonecos de Olinda e uma atmosfera de festa popular, criando no palco uma experiência que ia muito além de um show tradicional.

A proposta inicialmente gerou dúvidas sobre como organizar o público, mas a equipe do artista defendeu que quem faz carnaval sabe ocupar e conduzir uma multidão. A ideia foi aprovada pelo festival e acabou funcionando muito bem.

O resultado foi uma apresentação visualmente forte, cheia de identidade regional e capaz de mostrar ao público do Rock in Rio uma parte importante da cultura nordestina.

Até a passagem de som de João Gomes chamou atenção. Funcionários que trabalhavam no festival participaram do momento e os vídeos acabaram circulando nas redes sociais, mostrando que a música também pode criar encontros inesperados nos bastidores.

 

A força da música brasileira e da cultura lusófona

A presença de artistas de diferentes regiões também reforçou a importância de ampliar o espaço da música brasileira no festival.

João Gomes levou Pernambuco para o palco, enquanto outros artistas ajudaram a destacar a força da música nordestina e de outros estilos populares que nem sempre recebem o mesmo espaço nos grandes eventos.

O duo Calema, formado por artistas de São Tomé e Príncipe, também representou a conexão entre os países de língua portuguesa. A presença de artistas africanos em festivais brasileiros ajuda a aproximar públicos que compartilham histórias, referências e influências musicais.

Essa diversidade mostra que o público está interessado em conhecer novos sons, sotaques e formas de fazer música. Para um festival do tamanho do Rock in Rio, essa pluralidade pode ser um dos caminhos mais importantes para o futuro.

 

Espaço Favela: celebração ou limitação?

O Espaço Favela foi criado para dar visibilidade a artistas ligados às periferias e à cultura urbana. Mas a existência desse espaço também levantou uma discussão importante: será que artistas da favela e do funk devem ficar limitados a esse palco?

Após sua apresentação no Espaço Favela, MC Cabelinho  falou sobre o desejo de ver mais artistas da periferia ocupando também o Palco Mundo. A declaração não diminui a importância do Espaço Favela, mas amplia a discussão sobre os espaços destinados ao funk e à música produzida nas comunidades.

A discussão ganhou ainda mais força porque muitos artistas já provaram que conseguem atrair grandes públicos e ocupar qualquer palco. A origem de um artista não deveria definir o tamanho do espaço que ele pode conquistar.

O Espaço Favela é importante, mas a representatividade não pode terminar nele. A música produzida nas periferias também precisa estar presente nos palcos principais.

 

Pabllo Vittar e a falta de um show completo

Pabllo Vittar participou como convidada especial do show de Demi Lovato, mas não teve uma apresentação solo no Rock in Rio 2026. A participação foi celebrada pelo público, mas também reacendeu a discussão sobre quando a artista terá um show próprio no festival.

Pabllo Vittar já ultrapassou as fronteiras da música brasileira e se tornou uma das artistas mais reconhecidas do país internacionalmente. Por isso, sua presença como convidada foi celebrada, mas também despertou a sensação de que o festival poderia ter aproveitado melhor esse momento.

 

Elton John canta “Skyline Pigeon” especialmente para o Brasil

Elton John também protagonizou um momento emocionante ao incluir “Skyline Pigeon” no repertório apresentado no Brasil.

A música não fazia parte da programação original do show. O artista decidiu incluí-la porque ela tem uma relação especial com o público brasileiro e ganhou grande popularidade no país depois de aparecer em uma produção de televisão.

Durante a apresentação, Elton John comentou que a faixa era especialmente importante para os brasileiros. O gesto foi recebido com entusiasmo e mostrou como uma música pode construir uma relação única com um público específico, mesmo décadas depois de seu lançamento.

A apresentação também surpreendeu pela duração e pela energia do artista, que continuou entregando um show grandioso mesmo depois de anunciar sua aposentadoria dos palcos.

 

MISTURAS QUEBRAM FRONTEIRAS

O Rock in Rio também mostrou que alguns dos momentos mais interessantes surgem quando artistas e públicos diferentes se encontram no mesmo palco.

 

Puterrier aproxima o funk dos ARMYs

Puterrier criou uma conexão inesperada entre o funk e o universo K-pop ao aproximar sua música dos ARMYs, como são conhecidos os fãs do BTS.

A mistura mostrou que o funk brasileiro pode dialogar com diferentes comunidades de fãs e atravessar fronteiras musicais. Mais do que uma combinação inusitada, foi um encontro entre batidas, identidades e públicos que nem sempre aparecem juntos no mesmo espaço.

 

Dennis convida o Coral das Quebradas

Dennis também apostou na força da colaboração ao convidar o Coral das Quebradas para participar do show.

A presença do coral trouxe uma dimensão coletiva à apresentação e reforçou a importância de abrir espaço para projetos criados dentro das comunidades. O momento mostrou que o funk também pode ser construído a partir do encontro, da participação e da união de diferentes vozes.


Milo J traz a força latina

Milo J representou a conexão entre o Brasil e a América Latina, lembrando que a música brasileira também faz parte de uma cena latino-americana muito mais ampla.

Sua presença ajudou a ampliar o olhar do festival para além das fronteiras nacionais e mostrou como ritmos, sotaques e referências diferentes podem dividir o mesmo palco. Em um evento que reúne públicos de várias partes do mundo, essa troca entre territórios é cada vez mais importante.

Esses encontros reforçam uma das maiores forças da música: a capacidade de aproximar pessoas que, à primeira vista, parecem pertencer a universos completamente diferentes.

 

NEM TUDO FUNCIONA

Apesar dos grandes momentos, algumas escolhas dividiram opiniões.

 

Luísa Sonza mistura pop, funk e bossa nova

Luísa Sonza apresentou um repertório amplo e dividiu o palco com Roberto Menescal em uma homenagem à bossa nova. A proposta mostrou sua versatilidade, mas também gerou debates sobre a quantidade de referências reunidas no mesmo show. Em uma análise publicada pelo g1, o som embolado e a pouca presença da bossa nova foram apontados como pontos negativos da apresentação.

 

Day Limns participa de homenagem a Rita Lee

Day Limns participou do show da banda Malvada, que homenageou Rita Lee com uma apresentação de “Ovelha Negra”. O momento gerou críticas e memes por causa de um problema técnico no áudio. Depois, a cantora comentou que o som estava atrasado e que acabou desafinando durante a apresentação.

 

Jota Quest e o repertório de Tim Maia

Jota Quest também apresentou um projeto especial em homenagem a Tim Maia, revisitando músicas do cantor e celebrando sua influência na soul music brasileira. A escolha abriu espaço para discussões sobre como uma banda com identidade própria pode reinterpretar o repertório de outro artista.

 

 

Qual foi o show mais marcante para você?

E que artista deveria ganhar mais espaço na próxima edição?